A China reconheceu oficialmente o Brasil como um país totalmente livre de febre aftosa sem vacinação. O anúncio histórico consta em um comunicado conjunto emitido pela Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) e pelo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China (Mara), publicado no site oficial do órgão aduaneiro. De acordo com o documento, que possui data retroativa de 29 de maio, a decisão foi tomada com base nos resultados de uma rigorosa análise de risco. A partir da publicação, fica suspensa a antiga proibição que recaía sobre a região Norte do Brasil, chancelando todo o território nacional como livre da doença. Na prática, a medida tende a ampliar significativamente o comércio de proteínas brasileiras com o gigante asiático.
O governo brasileiro foi notificado sobre o reconhecimento pelas autoridades chinesas na madrugada desta terça-feira (2). O Brasil pleiteava essa validação comercial desde que recebeu, em junho do ano passado, o status internacional de território livre de febre aftosa sem vacinação concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). A demanda bilateral foi intensificada durante uma missão oficial recente do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, à Ásia, realizada em maio deste ano. O pedido também integrava o escopo de medidas compensatórias à salvaguarda de carne bovina que vinham sendo negociadas de forma prioritária pela diplomacia do governo federal.
Com essa nova chancela sanitária, o Brasil ganha fôlego para avançar na abertura de novos mercados tanto na suinocultura quanto na pecuária bovina de corte. Atualmente, existem tratativas bilaterais em andamento para a abertura do mercado chinês para produtos de maior valor agregado, como miúdos suínos internos — a exemplo de fígado e estômago —, carne bovina com osso, miudezas bovinas e cálculo da vesícula biliar bovina, conhecido popularmente como pedra de fel e amplamente utilizado na indústria farmacêutica internacional. Todos esses itens exigiam a certificação de área livre de aftosa sem vacinação para terem o ingresso autorizado no país.
Além disso, a exportação de carne suína e de miúdos suínos externos, como pé e orelha, que antes ficava estritamente restrita aos frigoríficos do estado de Santa Catarina devido às exigências anteriores, poderá ser ampliada de forma imediata para outros estados brasileiros. Para que a expansão ocorra, basta que os frigoríficos nacionais que já possuem habilitação para o comércio exterior formalizem o pedido junto aos órgãos competentes, agilizando o fluxo logístico e econômico do setor.































