O ator Wagner Moura registrou uma queixa-crime contra o pastor Silas Malafaia pelos crimes de difamação e injúria. A ação judicial, que já foi recebida e protocolada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), aponta que o líder religioso ultrapassou manifestamente os limites da liberdade de expressão ao desferir ofensas contra o artista em postagens na rede social X, antigo Twitter, em janeiro deste ano. Na ocasião, Malafaia utilizou termos como “cretino” e “esquerdista de araque” para se referir ao ator, motivando a abertura do processo que, segundo confirmação do tribunal fluminense, corre atualmente sob segredo de Justiça.
Nas redes sociais, as publicações do pastor criticavam o setor cultural, afirmando que, para o artista, um governo bom seria aquele que concede um aumento baixo para professores enquanto destina verbas bilionárias para a cultura. Em postagens subsequentes, Malafaia subiu o tom ao atacar o que chamou de “esquerdopatas defendendo artista que mama grana dos contribuintes para fazer propaganda de governo corrupto”. A defesa de Wagner Moura classificou as declarações como ofensas injuriosas e difamatórias com o nítido intuito de macular a honra do ator, lembrando ainda no corpo da ação que o pastor possui um histórico de embates jurídicos, incluindo uma condenação anterior a indenizar o influenciador Felipe Neto e processos por ofensas a generais do Exército, o que demonstraria um padrão de ataques pessoais que extrapolam o debate público legítimo.
Procurado para se pronunciar sobre o caso, Silas Malafaia negou ter cometido qualquer tipo de crime e classificou a queixa-crime como uma “piada” motivada por “intolerância”. O pastor questionou o motivo de ter sido escolhido como alvo jurídico em meio a milhares de usuários que teceram duras críticas e criaram memes contra o artista nas redes sociais após a cerimônia do Oscar deste ano. Wagner Moura fez história ao se tornar o primeiro brasileiro indicado ao prêmio máximo do cinema na categoria de Melhor Ator pelo seu papel no longa-metragem O Agente Secreto, produção que disputou quatro estatuetas na premiação americana, mas acabou não vencendo nenhuma.
Para Malafaia, a investida judicial possui um forte viés político e reflete preconceito religioso ou uma tentativa de censura devido à sua influência digital, alegando que o grupo rival tenta calá-lo a todo custo. O líder religioso afirmou que ainda não havia sido formalmente notificado da queixa-crime até o momento da entrevista e garantiu publicamente que não pretende recuar de suas posições.































