O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento administrativo para apurar possíveis mutações genéticas em cavalos-marinhos da espécie Hippocampus reidi que vivem na área de influência do Complexo Industrial Portuário Governador Eraldo Gueiros (Suape), no Litoral Sul de Pernambuco.
A investigação foi aberta em 29 de maio, após uma denúncia apresentada pelo Instituto Hippocampus, organização que atua há três décadas na conservação da espécie. Segundo a entidade, as alterações genéticas observadas estariam relacionadas às atividades de dragagem realizadas no porto e aos impactos provocados pelo derramamento de óleo que atingiu o litoral nordestino em 2019.
De acordo com a denúncia, relatórios técnicos elaborados pelo instituto identificaram mutações em aproximadamente 20% dos embriões de cada ninhada analisada.
Os casos foram registrados em cavalos-marinhos encontrados na Ilha de Cocaia, localizada no município do Cabo de Santo Agostinho. A região, assim como Ipojuca e Tamandaré, esteve entre as mais afetadas pelo desastre ambiental causado pelo óleo.
O documento também aponta que a ausência de medidas de resgate e reabilitação dos animais afetados teria provocado a morte de diversos exemplares em razão de malformações consideradas letais, comprometendo a sobrevivência das populações da espécie nos manguezais dos estuários de Suape.
Outro ponto levantado na denúncia diz respeito às operações de dragagem no porto. Segundo o Instituto Hippocampus, os serviços teriam sido executados sem a remoção prévia dos cavalos-marinhos existentes na área, o que teria provocado a morte de um número ainda indeterminado de animais.
Como evidência, o instituto apresentou ao MPF um vídeo gravado por um pescador da região que mostra dez cavalos-marinhos mortos. Entre eles, havia dois machos grávidos que, juntos, carregavam 382 embriões, posteriormente contabilizados em laboratório.
A denúncia também afirma que a administração do Complexo de Suape suspendeu o apoio prestado aos animais mantidos em reabilitação pelo Instituto Hippocampus, incluindo o fornecimento de alimentação, além de comprometer a estrutura utilizada pelos pesquisadores para o desenvolvimento das atividades científicas.
O procedimento instaurado pelo Ministério Público Federal busca apurar os fatos e verificar eventual responsabilidade pelos impactos ambientais apontados na denúncia.































