O delegado da Polícia Civil de Pernambuco Luiz Alberto Braga de Queiroz será levado a júri popular pela tentativa de homicídio contra o ambulante Emmanuel Pedro Gonçalves Apory, baleado durante uma festa no Forte dos Remédios, em maio de 2025. A decisão foi assinada pelo juiz Rogério Lins e divulgada nesta quarta-feira (27).
Segundo a sentença, o magistrado entendeu haver indícios suficientes de autoria e materialidade para que o caso seja analisado pelo Tribunal do Júri. O delegado foi pronunciado por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil, relacionado a ciúmes, conforme sustentado pelo Ministério Público de Pernambuco.
De acordo com a denúncia, Luiz Alberto teria utilizado uma pistola funcional calibre 9mm para atirar contra Emmanuel durante o evento “Samba Noronha”. A vítima foi atingida na perna direita, sofreu fraturas expostas na tíbia e na fíbula, teve necrose muscular e precisou amputar a perna na altura da coxa após complicações médicas.
O Ministério Público afirma que Emmanuel só sobreviveu graças ao socorro prestado por pessoas que estavam no local.
As investigações apontam que delegado e vítima haviam se conhecido dois dias antes do crime, em uma academia da ilha, quando Emmanuel teria conversado com a nutricionista Thamires Cavalcanti de Lima Silva, namorada do policial.
Segundo o inquérito, os dois trocaram contatos após ela oferecer serviços de nutrição. Testemunhas ouvidas no processo afirmaram não ter percebido qualquer atitude de assédio ou desrespeito por parte do ambulante.
Na decisão, o juiz reproduziu trechos da denúncia do MPPE que apontam que o delegado teria agido motivado por “um infundado sentimento devastador de ciúme”.
O magistrado, no entanto, retirou da acusação a qualificadora de recurso que dificultou a defesa da vítima. Segundo a decisão, apesar do uso de arma de fogo e da desigualdade de forças, o episódio ocorreu durante uma contenda física, sem elemento surpresa suficiente para manter essa qualificadora.































