Imagens captadas pela câmera corporal de um policial militar revelam momentos de tensão durante uma ocorrência registrada na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Antônio Bento, em novembro de 2025. Na ocasião, um dos agentes acusou a diretora da unidade de tentar impor sua “ideologia” ao abordar uma atividade pedagógica que envolvia o desenho de uma orixá.
“A senhora quis impor e ditar as suas regras, ditar seu pensamento, ditar a sua ideologia. Não vou conversar com a senhora agora. E, se tiver alguma medida, eu tomarei; voltarei aqui com a medida administrativa”, afirmou o tenente Ronald Camacho durante a discussão.
O episódio ocorreu após o pai de uma aluna de quatro anos acionar a Polícia Militar por discordar de uma atividade desenvolvida em sala de aula. Segundo ele, a filha estaria sendo exposta a conteúdos religiosos diferentes daqueles praticados por sua família.
As imagens das bodycams, obtidas pela imprensa, mostram os policiais acompanhando a reclamação do pai e questionando a condução da atividade escolar. Em outro momento da gravação, os próprios agentes reconhecem que não identificaram qualquer crime na atuação da instituição de ensino.
O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação dos fatos. De acordo com relatos colhidos na época, os policiais entraram na escola portando armas de grosso calibre, o que teria causado medo e apreensão entre crianças e funcionários da unidade.
Após a repercussão do episódio, a Polícia Civil indiciou o pai da estudante pelo crime de intolerância religiosa. Paralelamente, a Polícia Militar instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a atuação dos agentes envolvidos na ocorrência e verificar se houve irregularidades na abordagem realizada dentro da escola.
As investigações seguem em andamento.































