Um estudo da Universidade Estadual de Campinas revelou que aproximadamente 50% dos sapos-cururus da espécie Rhinella diptycha, em Fernando de Noronha, apresentam algum tipo de deformidade.
A pesquisa, realizada desde 2009 com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, é coordenada pelo professor Felipe Toledo, com participação das pesquisadoras Mariana Carvalho e Camila Moser.
De acordo com o levantamento, a maioria das anomalias está concentrada nos olhos e nos membros superiores e inferiores dos animais, especialmente nos dedos. O índice é considerado elevado, já que, em ambientes naturais, a taxa de deformidades costuma não ultrapassar 10%.
Os pesquisadores também investigam se há relação entre essas alterações e a presença de metais pesados no ambiente da ilha. Para isso, foram realizadas coletas de água, sedimentos e análises de tecidos dos animais em diferentes pontos do arquipélago.
Segundo o ICMBio, não existem anfíbios nativos em Fernando de Noronha. O sapo-cururu foi introduzido há mais de 100 anos com o objetivo de controlar pragas, mas acabou se tornando uma espécie invasora. Sem predadores naturais, passou a causar desequilíbrios ecológicos, alimentando-se não apenas de insetos, mas também de espécies nativas, como mabuias e caranguejos.
A pesquisa segue em andamento e deve contribuir para o entendimento dos impactos ambientais na ilha, além de orientar estratégias de manejo e conservação da biodiversidade local.
Estudo aponta alta taxa de deformidades em sapos-cururus de Fernando de Noronha
Pesquisa indica que cerca de 50% dos animais apresentam anomalias e investiga possível relação com contaminação ambiental
































