Uma pesquisa realizada em Fernando de Noronha está avaliando a saúde de golfinhos e aves, com foco na identificação de doenças que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos. O estudo é conduzido pela ONG Som do Oceano em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e segue o conceito de Saúde Única, que integra saúde humana, animal e ambiental.
A iniciativa faz parte das ações do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Negli-One, que reúne mais de 40 instituições do Brasil e do exterior. Segundo o pesquisador Raul Rio, o objetivo é monitorar a circulação de microrganismos que podem ser compartilhados entre espécies, além de entender como fatores ambientais influenciam esse processo.
Para isso, os cientistas coletam amostras do borrifo respiratório de golfinhos, fezes de aves e material por meio de swabs, semelhantes aos utilizados durante a pandemia de Covid-19. A veterinária Martha Brandão destaca que espécies como golfinhos e aves podem compartilhar bactérias e vírus, incluindo patógenos que circulam entre diferentes regiões do planeta, como no caso da gripe aviária.
Além da saúde dos animais, a pesquisa também analisa os impactos do turismo no arquipélago. Em 2025, o parque nacional marinho de Noronha recebeu mais de 139 mil visitantes, número acima do limite previsto. Para os pesquisadores, o aumento da presença humana pode afetar o comportamento dos golfinhos e o equilíbrio do ecossistema, reforçando a necessidade de monitoramento e de medidas de conservação, cujos resultados serão encaminhados ao ICMBio.






























