O custo de vida para as famílias do Grande Recife continua sofrendo o impacto direto da inflação dos alimentos. O preço da cesta básica registrou uma nova alta na Região Metropolitana do Recife, acumulando quatro aumentos sucessivos ao longo do ano de 2026. No mês de maio, o conjunto de itens essenciais de sobrevivência ficou 1,50% mais caro, de acordo com um levantamento de preços realizado pelo Procon Pernambuco entre os dias 25 e 29 de maio em diversos supermercados e estabelecimentos comerciais da região.
A trajetória de reajustes tem se mostrado severa e contínua desde o início do ano. O consumidor recifense enfrentou um expressivo aumento de 4,84% no valor da cesta básica logo no mês de fevereiro. Em abril, um novo salto nos preços foi identificado e catalogado pelo órgão estadual de defesa do consumidor e, no fechamento de maio, a tendência inflacionária se confirmou mais uma vez. Mesmo em março, período no qual o Procon-PE não executou a sua pesquisa de campo, indicadores do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) associados a dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já mostravam um avanço agressivo de 6,97% no custo dos alimentos na cidade. Naquela ocasião, o Recife amargou a posição de terceira maior alta inflacionária entre todas as capitais brasileiras, sendo superado apenas pelos índices de Salvador e de Manaus.
Em termos nominais, o estudo estatístico mais recente do Procon-PE revela que o valor médio da cesta básica saltou de R$ 757,20, na segunda medição feita em abril, para R$ 768,55 em maio. Na prática, o reajuste representa um impacto imediato de R$ 11,35 a mais no orçamento mensal das famílias. O cenário se torna ainda mais complexo quando confrontado com o poder de compra atual da população, visto que o preço vigente da cesta básica compromete expressivos 47,41% do salário mínimo nacional, estabelecido em R$ 1.621.
O principal vilão do bolso do consumidor no último mês foi a batata inglesa, cujo preço médio por quilo disparou de R$ 7,23 para R$ 11,67, configurando uma impressionante alta de 61,42%. Outros produtos de consumo diário indispensável também pressionaram o índice para cima, como o feijão mulatinho ou carioca, que subiu de R$ 8,12 para R$ 9,08 o quilo, e o arroz, que passou a custar R$ 4,43 o quilo, contra os R$ 4,11 medidos anteriormente. Em contrapartida, alguns itens registraram um alívio pontual com redução em seus preços médios, com destaque para o café em pó e para a tradicional bandeja de ovos de galinha.
O levantamento do Procon-PE reforçou ainda a necessidade de o consumidor realizar uma pesquisa detalhada antes de efetuar as compras, uma vez que foram detectadas distorções profundas de preços entre os supermercados avaliados. O quilo do arroz, por exemplo, apresentou uma variação discrepante de 194,97%, sendo comercializado por R$ 2,98 no local mais barato e por até R$ 8,79 no ponto de venda mais caro. Outra oscilação drástica foi identificada no quilo do alho, cujos valores oscilaram entre R$ 16,90 e R$ 39,90, o que equivale a uma diferença percentual de 136,09% de um estabelecimento para o outro.
Cesta básica sobe mais uma vez no Grande Recife e já acumula quatro altas em 2026
Levantamento do Procon-PE aponta reajuste de 1,50% no mês de maio; custo atual dos itens consome 47,41% do piso nacional de R$ 1.621.































