Novos desdobramentos divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelam o cenário chocante ao qual eram submetidas as mulheres resgatadas de uma casa de exploração sexual em Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Elas eram obrigadas a cumprir metas abusivas de até 20 programas sexuais por dia e a consumir ou vender pelo menos 40 doses de bebidas alcoólicas por semana.
O caso faz parte da Operação Donos da Noite, deflagrada pela Polícia Federal, que resgatou ao todo 22 mulheres em condições análogas à escravidão em estabelecimentos do Nordeste, sendo quatro delas localizadas na unidade de Pernambuco. A investigação aponta a atuação interestadual de uma organização criminosa especializada no tráfico de pessoas.
Segundo os auditores-fiscais do trabalho, o confinamento e o controle eram mantidos por um rígido esquema de servidão por dívida. Os exploradores cobravam valores inflacionados por tudo: alimentação, itens de higiene, roupas, procedimentos estéticos e até pela lavagem de roupas das vítimas. Muitas passavam semanas sem ver a cor do dinheiro, pois os ganhos eram inteiramente retidos para abater débitos inflados unilateralmente.
Para piorar, o descumprimento das metas diárias de programas ou de vendas de petiscos e bebidas gerava multas financeiras pesadas. Essas punições econômicas eram incorporadas ao montante que as vítimas supostamente deviam, criando um ciclo impagável que as impedia de deixar o local.































