O médico Marcelo Alves Vasconcelos, suspeito de envolvimento direto na morte de uma paciente durante um procedimento de harmonização de glúteos realizado no Recife no ano passado, foi preso na cidade de Fortaleza, no Ceará. A captura do investigado foi efetuada por equipes da polícia cearense após a troca de informações estratégicas com a Polícia Civil de Pernambuco. O profissional de saúde era considerado oficialmente foragido da Justiça pernambucana desde abril de 2026, quando o Poder Judiciário expediu um mandado de prisão preventiva contra ele em decorrência das investigações do caso.
As investigações apontam que a fatalidade ocorreu nas dependências de uma clínica de estética de alto padrão localizada no bairro do Pina, na Zona Sul da capital pernambucana. A vítima foi identificada como a comerciante Adriana Barros Lima, que tinha 46 anos na época do ocorrido. Durante o atendimento na clínica, a paciente foi submetida a uma aplicação interna de polimetilmetacrilato, uma substância sintética conhecida popularmente no mercado estético pela sigla PMMA, cujo uso é considerado totalmente irregular e contraindicado por órgãos sanitários para esse tipo específico de preenchimento corporal volumétrico.
A prisão de Marcelo ocorreu no último sábado (6) e, já no dia seguinte, o médico foi submetido a uma audiência de custódia em solo cearense, oportunidade em que o magistrado plantonista homologou o cumprimento do mandado e determinou a sua manutenção no sistema prisional. No âmbito do inquérito policial, o suspeito responde pelo crime de homicídio qualificado, com agravante por motivo torpe associado à ganância financeira. A polícia pernambucana reuniu provas de que o profissional agiu com negligência ao não exigir ou realizar nenhum tipo de exame clínico prévio na paciente, desconsiderando o fato de que Adriana enfrentava um quadro ativo de infecção biológica no período da intervenção.
O desdobramento das investigações revelou ainda graves irregularidades administrativas e profissionais por parte do investigado. De acordo com os dados oficiais fornecidos pelo Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), o médico não possuía o registro profissional obrigatório ativo para atuar na jurisdição pernambucana, o que significa que ele exercia as atividades de medicina de forma ilegal no estado. Marcelo Alves Vasconcelos aguarda os trâmites burocráticos para sua provável transferência para o sistema penitenciário de Pernambuco, onde ficará recluso à disposição do tribunal do júri.
































